01 outubro 2015

São gémeos... Gémeos?! UAU!! E agora...?!?

- Está a ver o mesmo que eu?
- Sim! (ela deve estar a falar da imagem a preto e branco, que eu mal percebo; sim, estou a ver, não percebo nada, mas vejo!)
- A Tânia tem gémeos na família?
- Não.
- E o seu marido?
- Também não. Mas porque pergunta, Dra.?


Não, não percebi logo o porquê das perguntas que a minha obstetra me estava a fazer... Aliás, nem quando ela disse "não está a ver? são dois!", ao que eu ainda respondi "dois quê...?". Definitivamente não estava à espera, era algo que nunca tinha imaginado e não estava mesmo a encaixar a informação que ouvia e só não caí da marquesa em que estava deitada abaixo por isso mesmo: estava deitada. O meu marido, que só entrou depois de já termos feito a descoberta (ou melhor, a Dra. Lina fez a descoberta, eu estava a tentar percebê-la...), assim que olhou para o monitor onde apareciam os dois pequenos feijõezinhos entendeu logo - eram gémeos. Ele de sorriso de orelha a orelha e eu em choque, contente por estar tudo bem com os bebés, mas em choque e com imensas coisas a passarem pela minha cabeça: como ia o meu corpo, magro e pequeno, suportar um barrigão com dois bebés, como ia eu amamentar dois bebés, como ia eu tratar de dois bebés, and so on... Ao chegar a casa e entrar no nosso quarto a primeira coisa que disse foi "e onde vão caber aqui duas caminhas de bebé??"; pouco descansei nessa noite, adormeci tarde, sonhei muito, respirei fundo e suspirei muitas vezes, mesmo a dormir. Isto, disse-me o meu marido, que tentava dormir ao meu lado, "parecia que já estavas em trabalho de parto".

Demorei algum tempo a assimilar a novidade, a acalmar as minhas dúvidas e ansiedade, mas aos poucos fui-me habituando à ideia. Ao longo da gravidez, não foram poucas as vezes em que dei comigo a pensar se seria mesmo verdade, se isto me estava mesmo a acontecer, num mix de felicidade, espanto, receio e nervosismo (e porque não dizê-lo, pânico!) porque se por um lado me sentia muito contente e até mesmo sortuda por tamanha bênção, por outro sentia-me muito apreensiva com o que aí vinha... Mãe de primeira viagem e logo de gémeos? Ainda para mais, não tendo eu qualquer experiência com crianças - medo, muito medo...!

Desde aquele dia em que uma frase tão curta nos virou a nós e ao nosso mundo de pernas para o ar, passaram três anos. Lembro-me de como tudo me pareceu tão assustador quando ouvi "são gémeos!", lembro-me de como foram difíceis os primeiros tempos (o medo de não conseguir que comessem e ganhassem peso, os escassos tempos de descanso, toda logística para sair de casa com elas, o carrinho que ocupava toda a bagageira do carro, os biberons para esterilizar que pareciam não mais acabar) e de como quase nem saí do meu quarto durante o primeiro mês de vida delas, lembro-me de tudo isso mas com o passar do tempo essas memórias vão suavizando e as dificuldades vão parecendo cada vez mais desfocadas. Estão cá e não se esquecem, mas com os novos desafios que vão surgindo a cada dia tudo vai parecendo mais fácil, além de sabermos que vivemos momentos e situações que quem só tem um filho (ou um filho de cada vez) não vive. Já para não falar de que as princesas são lindas, maravilhosas, o nosso orgulho! E vendo bem, foi difícil sim (às vezes ainda é), mas conseguimos e até temos feito um bom trabalho :) :)

Naquele Dia Mundial da Música ouvimos "são gémeos!" pela primeira vez, algo que nunca tínhamos pensado ouvir, mas olhando agora para as miúdas que dormem no quarto ali ao lado, é incrível como a partir de uma frase tão simples sai uma "música" tão completa e com ritmos tão variados... É música para os nossos ouvidos!

[E sim, claro que só assim é que não me esqueci do dia em que soubemos a notícia: se não fosse a coincidência de ser o Dia Mundial da Música, provavelmente não me iria lembrar, que desde que fui mãe a minha memória já não é o que era!]



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